Terça-feira

As mulheres de Cavaco

"No debate com Defensor Moura - em que o actual presidente, sem estar protegido por discursos escritos, demonstrou até onde pode ir a sua arrogância -, coube a Cavaco Silva o minuto final. Dedicou-o às mulheres, que nesta quadra festiva estão em destaque. Não fosse a virgem Maria modelo para todas as senhoras sérias e a família o centro das suas vidas.

Ao falar às mulheres, Cavaco fez-lhes um elogio. Pela sua participação cívica na vida da comunidade? Não. Pelo papel crescente que vão tendo nas empresas, na Academia, na cultura, na política? Menos ainda. O elogio foi para as mães, esposas e donas de casa. Por cuidarem das crianças e fazerem milagres com o apertado orçamento familiar.

Quando Cavaco Silva fala o tempo anda para trás. [...] Nunca debate, porque o debate poderia dar a ideia de que ele navega nas águas sujas da polémica democrática. Ele é o consenso. Apesar de tudo o que sabemos, representa a honestidade no seu estado mais virginal. E para ser mais honesto do que ele qualquer um teria de nascer duas vezes e, supõe-se, duas vezes escolher Dias Loureiro como seu principal conselheiro político.

Mas o tempo volta para trás não apenas no olhar que tem de si próprio, mas no olhar que tem do País. Nesse País está, no centro de tudo, a família. E no centro da família está a mulher. Não a mulher que tem uma vida profissional relevante e é uma cidadã activa e empenhada. Mas a esposa e a mãe. É ela - quem mais? - que cuida dos filhos e gere as finanças domésticas.

Cavaco Silva não se engana. Esse país modesto e obediente - onde o chefe de família confia no líder que trata das finanças da Nação e na mulher ponderada que trata das finanças da casa - ainda existe. Ao lado de um outro, feito por uma geração que nasceu numa democracia cosmopolita. Onde os cidadãos têm sentido crítico e as mulheres têm vida fora do lar. Onde os homens também cumprem o seu papel nas coisas comezinhas da educação dos filhos e a gestão da economia doméstica também é obrigação sua. Onde os cidadãos não procuram homens providenciais que os protejam do Mundo. O problema de Cavaco não é viver divorciado do País real. É haver uma parte desse país que lhe escapa.

Cavaco Silva recorda o que fomos: provincianos, medrosos, conservadores, ordeiros. E nós, como todos os povos, carregamos no que somos um pouco do nosso passado. O cavaquismo representa um Portugal que demora a dar-se por vencido. É o último estertor do nosso atraso. E o seu último minuto teve aquele cheiro insuportável a naftalina. Aos mais velhos, que o reconhecem, dá segurança. Aos mais novos, a quem diz tão pouco, parece tão inofensivo como um avô vindo de outro tempo.

Há quem ache que Cavaco não é de direita. Engana-se. Cavaco é a única direita que realmente existe em Portugal: conservadora, tacanha, provinciana, caridosa e estadista. A outra, liberal, cosmopolita e tão pouco latina, se não se adaptar terá de esperar muito tempo pela sua vez. [...]"

Daniel Oliveira in Expresso

Quinta-feira

Imagine

"Imagine que um homem próximo de José Sócrates estava envolvido na gestão criminosa de um banco e que isso custava cinco mil milhões ao Estado. Imagine que um outro homem ainda mais próximo de Sócrates (Armando Vara, por exemplo) também estava envolvido no caso. E que Sócrates, como primeiro-ministro, vinha a publicamente defender a sua permanência num cargo político.

Imagine que se suspeitava que o banco em causa, quase exclusivamente composto por pessoas do círculo político próximo de José Sócrates, tinha contribuído financeiramente para a sua campanha anterior. Imagine que Sócrates e familiares seus tinham comprado acções desse grupo financeiro e vendido a tempo.

Imagine que, sabendo-se tudo isto, Sócrates apoiava a nacionalização dos prejuízos deste banco. E imagine que essa nacionalização ajudaria a explicar a situação calamitosa do país.

Imagina o que se escreveria sobre o assunto? A quantidade de vezes que o primeiro-ministro teria de explicar as suas ligações ao banco? Os esclarecimentos que teria de dar? As declarações que teria de fazer ao País? Como tudo seria investigado até ao mais ínfimo pormenor? Como todos os documentos seriam vasculhados? Não foi assim nos casos da licenciatura, das casas projectadas, da Face Oculta, do Freeport, da TVI? E muito bem.

Não se percebe porque é que, num caso muitíssimo mais grave nas suas consequências para o país, parece dispensar-se qualquer tipo de vigilância democrática quando a pessoa que está em causa é, em vez do primeiro-ministro, o Presidente da República."

Daniel Oliveira (www.expresso.pt)

Terça-feira

Segunda-feira

Relief by anonymous


I saw the sea come in.
I saw your good old friend.
He walked right past.
I'll never ask,
I'll never ask again.

I saw the sea come in.
I saw your good old friend.
He walked right past.
I'll never ask,
I'll never ask again.

I love the way you dance.
We can work it all out.
Don't you miss your chance.
The pain will all grow out.

I heard your good old word.
I heard the things you said.
They shuffled in;
Asked me to sin,
Asked me to sin in red.

I heard your good old word,
And I also heard the things you said.
They shuffled in.
Auf weidersehen,
Auf weidersehen, good night.

I love the way you dance.
We can work it all out.
Don't you miss your chance.
The pain will all grow out.

I didn't go to see the city,
I went to see it around you.
We can laugh in hell together;
The devil will find you, too.

Nose to nose.
Eyes all closed.
This is what I said.
"We never, ever end."

Nose to nose.
Eyes all closed.
This is what I said.
"We never, ever end."

I saw the sea come in.
I saw your good old friend.
He walked right past.
I'll never ask,
I'll never ask again.

2011

Sexta-feira

TVI no seu melhor

Bom fim de semana


Uma noite para ser confundido
Uma noite para acelerar a verdade
Nós tinhamos que pagar uma promessa
Quatro mãos e então a separação

Ambos sob influencia,
Tínhamos sensibilidade divina
Para saber o que falar
Mentes como lâminas

Para chamar as mãos de cima,
Ajoelhando-se
Pode não ser bom suficiente
Para mim, não.

Uma noite de mágica pressa
O início do simples toque
Uma noite para empurrar e gritar
E então, alívio

Dez dias de sinfonia perfeita
As cores vermelha e azul
Tínhamos uma promessa feita
Estávamos apaixonados

Para chamar as mãos de cima,
Ajoelhando-se
Pode não ser bom suficiente
Para mim, não. (2x)

E você, você sabia que a mão do diabo
E você, nos manteve despertos com dentes de lobos
Partilhando batimentos do coração
Em uma noite

Para chamar as mãos de cima,
Ajoelhando-se
Pode não ser bom suficiente
Para mim, não. (2x)